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17 de Agosto de 2019

Conversas entre Moro e Deltan colocam legitimidade da Lava Jato em xeque

Vazamento ilegal pode facilitar a liberdade de Lula, escreve Felipe Recondo

Jota Info, Jornalista
Publicado por Jota Info
há 2 meses

As heterodoxias da Lava Jato eram conhecidas de muito e elogiadas/criticadas por apoiadores/críticos, respectivamente. Exemplos se somavam – o vazamento do áudio ilegal da conversa de Lula e Dilma, as prisões preventivas que se alongam por anos, os acordos para aplicação de recursos da Petrobras, as entrevistas coletivas e power points, tudo isso já dava o tom da Lava Jato.

A captação ilegal de conversas atribuídas ao então juiz Sergio Moro e o procurador da Força Tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol, reveladas pelo The Intercept, são indícios mais fortes desta relação nem sempre distante entre o juiz instrutor da investigação e o investigador.

Não para menos há propostas para se criar as figuras distintas do juiz instrutor e do juiz julgador.

Conversas estas que não devem mudar as posições de críticos e entusiastas de Moro e companhia. Quem defende “Lula livre” terá mais argumentos. Quem defende a Lava Jato incondicionalmente continuará a elogiar os estratagemas da investigação para colocar Lula e tantos outros na cadeia.

Também não alteram tendências. O Supremo Tribunal Federal já dava mostras de que poderia conceder a liberdade ao ex-presidente da República em breve, podendo, inclusive, anular termos de sua condenação no caso do tríplex, no Guarujá (SP).

As mensagens hackeadas e divulgadas agravam essa tendência abrindo um flanco inclusive para o Supremo anular o processo sob o argumento de que Moro era suspeito para julgar a investigação.

A popularidade de Moro, que já estava em baixa nos círculos de poder em Brasília, desce mais a ladeira. Sua situação política se agrava.

O acordo com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) de indicá-lo para o Supremo na vaga do ministro Celso de Mello, no ano que vem, também se compromete progressivamente.

Leia análise completa de Felipe Recondo.

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